terça-feira, 24 de maio de 2011

livro: WEISZ, Telma. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem.

Bibliografia:
WEISZ, Telma. O Diálogo entre o Ensino e a Aprendizagem. São Paulo: Ática, 2002.
Por: Profa. Dra. Patrícia Colavitti Braga Distassi

Na obra “O Diálogo entre o Ensino e a Aprendizagem”, a estudiosa TelmaWeisz apresenta importantes reflexões acerca do processo de ensinar e de aprender.  Para tanto, segmenta o livro em oito capítulos que se completam e que se intitulam: Cap. I: “Meu Batismo de Fogo” Cap. II: “Um novo olhar sobre a aprendizagem” Cap.III: “O que sabe uma criança que parece não saber nada” Cap. IV: As ideias, concepções e teorias que sustentam a prática de qualquer professor, mesmo quando ele não tem consciência delas Cap. V: Como fazer o conhecimento do aluno avançar Cap. VI: “Quando corrigir, quando não corrigir” Cap. VII: A necessidade e os bons usos da avaliação Cap. VIII: “O desenvolvimento profissional permanente”.
         No capítulo I, a autora relata sua experiência enquanto normalista que, no último ano de seu curso de formação, em 1962, foi “colocada” em sala de aula, para ensinar crianças vítimas de um “fracasso muito mais produzido pela escola e pela minoria dominante” do que por elas mesmas.  A partir desse momento, ao qual chama de “batismo de fogo”,  concluiu, à luz dos estudos de Piaget e de Ferreiro que, a fim de combater essa situação de fracasso, é necessário que o professor organize seu trabalho pedagógico à luz das concepções explicitadas na teoria construtivista.  Nesse processo, muitas foram as reformulações de suas visões da Pedagogia e dos processos de ensino e de aprendizagem e, segundo suas conclusões, atualmente, muitos professores chegam à escola com as mesmas insuficiências com as quais ela chegou em 1962, a diferença é que os norteamentos teóricos, com os quais os professores lidam hoje “(...)iluminam os processos através dos quais as crianças conseguem ou não aprender certos conteúdos”(p.16).
         No capítulo II, Weisz discorre acerca dos processos de ensino e de aprendizagem concebidos, propagados e instituídos pela Escola Nova.  Além disso, lança um novo olhar sobre o processo de ensino e de aprendizagem, com base nas concepções pedagógicas erigidas a partir da Teoria Construtivista de Piaget e, também, sob as bases da Psicogênese da Língua Escrita, de Emília Ferreiro.  As conclusões da autora são explicitadas pelas seguintes afirmações: “A metodologia embutida nas cartilhas de alfabetização contribui para o fracasso na escolaÉ possível enxergar o que o aluno já sabe a partir do que ele produz e pensar no que fazer para que aprenda mais” É preciso considerar o conhecimento prévio do aprendiz e as contradições que ele enfrenta no processo “Para aprender, a criança passa por um processo que não tem a lógica do conhecimento final, como é visto pelos adultos” “Aprender a aprender é algo possível apenas a quem já aprendeu muita coisa”.
         A contribuição do terceiro capítulo está em focalizar os saberes da criança como objeto de estudo e de reflexão.  Vale referir que os “saberes da criança” se constituem por aqueles saberes que ela já possui, fruto do contato com vários tipos de educação (assistemática, sistemática, cultura, etc...), e os que poderá construir via relação consigo mesma, com outras crianças e com o professor.  Nesse capítulo, a autora enfoca aspectos como a necessidade de entender que as crianças pensam, o que e como pensam, já que “se o professor  não sabe nada sobre como o aluno pensa a respeito do conteúdo que quer que ele aprenda, o ensino que oferece não tem “com o que dialogar” (p.42) que organizam o mundo a partir de conhecimentos prévios, saberes e lógicas, anteriormente constituídos ,pois “aprender é, para elas, ter de reconstruir suas ideias lógicas a partir do confronto com a realidade” (p.42), que se devem estimular as construções internas, perguntando às crianças, observando-as trabalhar juntas e estimulando parcerias que crianças diferentes possuem saberes diferentes e que cabe à escola “equalizá-los”, oferecendo as mesmas oportunidades a todas, independente da classe social da qual são oriundas isso significa não fazer julgamentos e distinções de valor de saberes e também “expor à criança à cultura, às tecnologias”, estimulá-la a “navegar na cultura, a internet, na arte, em todas as áreas do conhecimento, em todas as linguagens, em todas as possibilidades” (p.51) e, com elas refletir, oferecendo-lhes “abertura para o mundo”, levando-as a ver e a participar do mundo.  Para tanto, o professor não deve se apoiar em uma proposta de ensino programado deve sim, adotar uma postura construtivista e isso significa: “(...) construir conhecimentos de diferentes naturezas, que lhe permitam ter claros os seus objetivos, selecionar conteúdos pertinentes, enxergar na produção de seus alunos o que eles já sabem e construir estratégias que os levem a conquistar novos patamares de conhecimento.  A prática pedagógica é complexa e contextualizada, e portanto não é possível formular receitas prontas para serem aplicadas a qualquer grupo de alunos: o professor, diante de cada situação, precisará refletir, encontrar suas próprias soluções e tomar decisões relativas ao encaminhamento mais adequado.” (p.54)
(...)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postar um comentário